Como planejador urbano, sou treinado para perceber como os apartamentos a venda em piracicaba e os espaços urbanos são organizados e a história por trás deles. No entanto, não é preciso ser um especialista para perceber que a maioria dos espaços em que vivemos desconsidera, quase inteiramente, as funções sociais de um espaço urbano, deixando-nos com lugares sem vida, frios e pouco convidativos.

A diferença entre o planejamento levando em consideração o aspecto social da cidade e o contrário é muito clara e pode ser sentida e percebida apenas ao caminhar por uma rua. Veja este exemplo, por exemplo:

Em qual calçada você prefere andar?

Mas, por que a total despreocupação com as funções sociais tem um lugar no planejamento urbano?

O surgimento da indústria automobilística e o rápido crescimento do apartamento piracicaba no final dos anos 1800 e início dos anos 1900 desempenharam um papel inegável no planejamento de nossas cidades hoje. Foi neste contexto que a ideia da produção em massa, infelizmente, pegou no urbanismo criando personalidades, como Le Corbusier, um arquitecto franco-suíço que via as cidades como “máquinas vivas”. Le Corbusier é famoso pelo plano-mestre utópico de The Radiant City que nunca foi realizado, mas pode ser usado para simbolizar o movimento modernista que teve e tem tanta influência no planejamento de nossas cidades sem vida.

Em suma, The Radiant City é um masterplan modernista apresentado em 1924 por Le Corbusier, que visava substituir as cidades europeias preexistentes, introduzindo regularidade, forma geométrica e ordem, de uma forma que aniquilou completamente a tradição, pois essa era a ideia de progresso para modernistas. Na base de seu projeto, estava o conceito de zoneamento, que significa a separação dos usos, tais como habitação, comércio, negócios e entretenimento, que é uma das principais noções que deram a este projeto seu status conspícuo no movimento modernista.

Estes novos apartamentos para alugar em piracicaba seguiria também a sua concepção de “máquina viva”, anteriormente mencionada, incorporando edifícios pré-fabricados idênticos de forma verdadeiramente industrial. Rodovias é outro ponto fundamental, já que o carro, símbolo da vida moderna naquela época, é o protagonista desse plano. Enquanto isso, os desejos e necessidades das pessoas eram negligentemente desconsiderados, traduzindo no planejamento urbano e na arquitetura o tom autoritário que deu forma a este período, anterior à Segunda Guerra Mundial.

O mais perto da concretização desse plano foi nos imóveis em piracicaba, no Brasil, onde os arquitetos modernos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, fortemente influenciados pelas ideias de Le Corbusier, planejaram a cidade do zero. Mas, conforme descrito em um artigo no ArchDaily, Brasília dificilmente é uma utopia, ao contrário, é brutalmente criticada por ignorar os hábitos e desejos dos moradores e por não fornecer espaços públicos para encontros urbanos. Do meu ponto de vista, Brasília é linda de se ver de longe, mas simplesmente não é funcional para as pessoas que vivem nela. As enormes distâncias e grandes quarteirões impossibilitam caminhar ou andar de bicicleta em qualquer lugar e isso impacta negativamente o aspecto social da cidade.

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Traços desse tipo de concepção de cidade moderna não são exclusividade de Brasília, mas está presente em quase todas as cidades em menor grau. E, para muitos, são considerados fundamentais para a organização e lógica da cidade. Certa vez, ouvi de uma funcionária de um hotel na cidade de Nova York que ela se orgulhava do Bronx por ter bairros sem usos mistos, que é um dos rótulos do modernismo. Para ela, isso foi um progresso. E, honestamente, por algum tempo, foi um progresso para mim também. Porém, depois que entrei em contato com a percepção da cidade como um lugar “onde as pessoas se encontram e trocam ideias, trocam ou simplesmente relaxam e se divertem”, como colocado por Richard Rogers, a ideia de ordem geométrica, espaços orientados ao carro e separação de usos simplesmente não refletia mais o progresso, ao contrário, parecia opressão.

Muitas das nossas cidades carecem de dimensão humana, carecem de vida e da possibilidade de interagir com outras pessoas que é tão importante para nós como seres sociais.

A cidade retratada por Rogers é possível se aumentarmos a preocupação com os pedestres, os ciclistas, pois a vida na cidade está diretamente relacionada a essas atividades. A escala humana é outro elemento essencial que contribui para uma rica experiência de caminhada, convidando as pessoas a vivenciar a cidade. Esta escala abrange, segundo Jan Gehl, fachadas interessantes, impressões sensoriais, pequenos espaços, edifícios mais próximos entre si em combinação com detalhes, rostos e atividades.

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Enquanto as cidades modernas carecem de vida, os espaços urbanos que têm as pessoas como foco principal, prosperam na vida, incentivando conexões humanas, conversas espontâneas, passeios interessantes e observação de pessoas.

Os cafés na calçada são uma marca registrada desse tipo de planejamento, porque esse conceito é construído sobre a vida na cidade – para que serve um café na calçada se não há nada para ver e ninguém por perto?

Concluindo, é claro que embora as cidades devam existir para sustentar nossas necessidades como seres humanos, indiscutivelmente, o planejamento moderno tirou as funções sociais da cidade completamente fora da equação, ao impor-lhe uma ordem cartesiana e industrial inadequada. Assim, muitas das nossas cidades carecem de dimensão humana, carecem de vida e da possibilidade de interagir com outras pessoas que é tão importante para nós como seres sociais.

Por isso, é urgente que o reconheçamos para exigir, através de petições dirigidas às autarquias locais, mais dinamização dos espaços públicos e alterações nas restrições de zoneamento. E, em menor escala, ter consciência da dimensão humana na hora de projetar edifícios é outra forma de trazer de volta a vida e a dimensão social às nossas cidades.